Entrevistas

Entrevista: José Armando Vannucci

Jornalista de rádio e televisão, José Armando Vannucci começou a trabalhar com comunicação há mais de duas décadas, quando ainda fazia faculdade. Tentou entrar no grupo Jovem Pan por meio de um projeto de televisão que não foi para frente e acabou caindo de paraquedas na rádio. Quando se deu conta, estava absolutamente apaixonado pelo meio. Trabalhou com rádio-escutas, checagem de fatos, reportagem, redação, edição, direção e apresentou alguns programas. Segundo ele, a experiência, além de ampla foi enriquecedora.

Do que ele mais gosta neste meio é a agilidade e a necessidade do profissional estar sempre alerta. Não dá para se prender a roteiros muito rígidos como em outros campos midiáticos. “Não é por menos que o rádio forma grandes comunicadores, atualmente os mais valorizados em outras mídias”, afirma. Vannuci conversou com a BRLOGIC sobre a importância do meio, sobre  o contexto atual em que qualquer pessoa pode criar uma rádio online e trouxe uma visão de um profissional experiente sobre o que vem por aí neste mercado.

Qual a importância da rádio como meio de comunicação?

O rádio ainda é o veículo mais próximo do cidadão. Ele é procurado nos momentos em que você necessita de informações e da agilidade para tomar decisões importantes para seu cotidiano. É o amigo e companheiro com sua programação de entretenimento e musical. O fato é que, independente da ocasião, é próximo e, portanto, altamente influenciador.

Você começou a trabalhar na área já no início da internet comercial, como você acha que a rádio foi influenciada por isso?

Infelizmente, as rádios demoraram para compreender como poderiam se beneficiar com a internet. A nova plataforma possibilitou agregar valor e conteúdo ao que era oferecido por rádio. Atualmente, alguns donos de emissoras sonham em transformá-las em televisão através da internet. O que é uma bobagem e um grande erro. A produção é bem diferente nas duas mídias e uma não pode matar a outra. Entretanto, é possível oferecer a imagem como complemento, desde que esta não mate a magia do rádio. Aqui no Brasil, poucos são os que realmente sabem trabalhar com multiplataformas e interligá-las.

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As Web Rádios vieram para ficar?

Elas já são realidade e a tendência é de crescimento. Afinal, a tecnologia possibilita uma boa qualidade do produto que chega ao ouvinte, Além disso, na web é possível criar uma relação diferenciada e próxima com o público. A interação é maior, o investimento é bem menor do que numa rádio tradicional possibilitando o desenvolvimento de projetos viáveis economicamente e menos dependentes de grandes anunciantes, que a cada ano se afasta mais do rádio.

Qual é o futuro da rádio?

O rádio terá que se adaptar novamente à realidade. Na frequência aberta (sinal aéreo) a música é o grande atrativo nas emissoras mais populares. As rádios segmentadas perderam público porque as pessoas são atendidas por serviços específicos através da internet. Nesse sentido, vale mais a programação falada tanto em jornalismo quanto em entretenimento.

O futuro do rádio depende da compreensão de quem está em seu comando. É fundamental deixar de lado a estrutura familiar para apostar num profissionalismo cada vez maior, com pesquisas, estudos e técnica em contraponto à intuição de quem nasceu no rádio. Os tempos modernos mostram que as emissoras mais fortes e produtivas deixaram de lado o antigo pensamento de que talento vem pelo DNA.

Sobre o autor

Luiz Silveira

Luiz Silveira é obcecado por rádio, música e tecnologia. É especialista em marketing digital, com uma década de experiência tem como meta descomplicar a integração das emissoras de rádio ao meio digital.

1 comentário

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  • Caro José Armando, estou lendo a Biografia da TV Brasileira que você escreveu com Flávio Ricco e, apesar de excelente, encontrei alguns equívocos que – não me leve a mal – passo a enumerar para você:

    1) Jô Soares nunca fez parte da Equipe A da TV Record (Vol. 1 – p. 202). Ela era formada por Nílton Travesso, Manoel Carlos, Antônio Augusto Amaral de Carvalho (o Tuta) e Raul Duarte.

    2) Sobre os prêmios (Vol. 1 – Capítulo 14), vocês esqueceram-se de mencionar o maravilhoso Chico Viola, que, organizado pela AFEU, premiava os melhores do disco e foi ao ar de 1958 a 1972 pela TV Record com toda a pompa, como o Roquette Pinto.

    3) O programa que Agnaldo Rayol comandou pela Record foi o Corte Rayol Show (e não Corte Real Show), junto com o impagável Renato Corte Real (Vol. 1 – p. 213).

    Desculpe-me pela intromissão, mas penso que tão belo trabalho não pode apresentar enganos como esses. Um grande abraço.

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