Dicas BRLOGIC

“A guerra dos mundos” no rádio

Antigamente, quando a televisão ainda não havia sido inventada ou apenas uma pequena parcela da população tinha acesso à ela, a maior parte dos programas jornalísticos ou de entretenimento eram transmitidos pelo rádio. Esse foi o principal veículo midiático por muitos anos, até o uso da televisão ser totalmente popularizado.

As casas mantinham seus aparelhos de rádio ligados a maior parte do dia e, por conta da grande audiência, as estações tiveram que idealizar diversas formas de entreter o público. O rádio passou por rádio novelas, programas musicais, rádio jornalismo e diversos outros programas para agradar aos ouvintes.

A grande rádio norte-americana CBS havia contratado o jovem roteirista Orson Welles para realizar uma série de programas semanais de adaptações radiofônicas. Na décima sétima semana, entretanto, tudo mudou e os programas de rádio nunca mais foram os mesmos.

Orson Welles escreveu um roteiro adaptado de um dos livros mais famosos de ficção científica, “A Guerra dos Mundos”, para seu programa na rádio. O livro se tornou uma transmissão radio jornalística que narrava os eventos de uma invasão alienígena ao planeta Terra.

O roteirista fez mais de 1 milhão de pessoas acreditarem que os Estados Unidos estavam sendo atacados por marcianos. Confira a seguir a história do maior programa de rádio da atualidade.

O encontro da ficção com a realidade

No ano de 1897 era lançado um dos livros de ficção científica mais famosos de todos os tempos, chamado “A Guerra dos Mundos”. Escrito pelo inglês H. G. Wells, a história narra a invasão da terra por seres marcianos dotados de inteligência que possuíam raios carbonizadores e máquinas assassinas.

Em 30 de outubro do ano de 1938, exatamente 41 anos depois do lançamento do livro, o então roteirista Orson Welles sugeriu à estação de rádio norte-americana, Columbia Broadcasting System (CBS), a ideia de reproduzir a história do livro em um programa de rádio jornalismo fictício.

Às vésperas do Halloween, comemorado no dia 31 de outubro, a CBS interrompeu sua programação musical para noticiar uma suposta invasão de marcianos. A “notícia em edição extraordinária” era, na verdade, o início de uma peça de radio teatro.

Esse episódio não só fez com que a emissora ultrapassasse a concorrência, NBC, como também desencadeou um episódio único na história mundial. O que se sucedeu foi o programa que mais marcou a história da mídia no século 20.

O planejamento do século XX

O roteiro, reescrito pelo próprio Orson Welles, se tornou uma dramatização em forma de programa jornalístico. Contava com todas as principais características do radio jornalismo da época, às quais os ouvintes estavam mais do que acostumados. Tudo foi planejado e pensado para que o fato parecesse estar sendo transmitido ao vivo.

A transmissão contava com reportagens externas, entrevistas com testemunhas no suposto local do acontecimento, opiniões de autoridades e peritos, efeitos sonoros, sons ambientes, gritos e a emoção dos atores e radialistas que se passavam por repórteres e comentaristas.

Os números do caos

A emissora CBS calculou que, na época, o programa foi ouvido por cerca de seis milhões de pessoas. A confusão se deu porque mais da metade dos ouvintes sintonizou na estação quando o mesmo já havia começado. O que significa que mais de três milhões de pessoas perderam a introdução que informava que se tratava do radio teatro semanal.

Dessa forma 1,2 milhão de pessoas acreditou se tratar, de fato, de uma invasão alienígena ao planeta terra. Estima-se que meio milhão de ouvintes teve certeza de que o perigo era iminente, entrando em pânico, sobrecarregando linhas telefônicas, criando aglomerações nas ruas e congestionamentos causados por pessoas apavoradas que tentavam fugir do falso perigo.

A influência do programa – que foi transmitido durante apenas uma hora – foi tão grande que paralisou completamente três cidades norte-americanas. Houve pânico e correria em localidades próximas a Nova Jersey, local de onde a emissora CBS transmitia a edição da releitura e onde Welles ambientou sua história.

A transmissão

Parecia mais uma véspera normal de Halloween até que a CBS interrompeu sua programação musical para noticiar uma suposta invasão de marcianos aos EUA. O então programa jornalístico fictício relatou a chegada de centenas de marcianos a bordo de naves extraterrestres à cidade de Grover’s Mill, localizada no estado de Nova Jersey.

Houve fuga em massa  e reações exageradas de ouvintes nas cidades de Nova Jersey e Nova York.  

No texto original, apesar da invasão ter como cenário a cidade de Londres, o livro também contava com uma linguagem jornalística e tecnicamente atualizada para a época. Esses aspectos só intensificaram o tom de veracidade da transmissão, fazendo com que tantos ouvintes acreditassem no que estava sendo dito.

Segundo o programa fictício, a Terra estava sendo alvo de um meteoro e da chegada de naves alienígenas com destino aos Estados Unidos. a transmissão contou com características específicas do radio jornalismo. O próprio Orson Welles interpretou um astrônomo entrevistado durante o programa.

Para impressionar ainda mais os ouvintes e se aproximar da realidade o quanto fosse possível, foram usados efeitos de sonoplastia. O som das naves se aproximando do planeta, por exemplo, foi feito com a descarga do banheiro. Tudo isso dava a impressão de que os fatos eram reais e ao vivo.

Genialidade de Welles

Mesmo se tratando do 17º programa da série semanal de adaptações radiofônicas realizadas no Radioteatro Mercury, pelo próprio Welles ainda assim ele conseguiu resultados inacreditáveis. Futuramente conhecido pela direção do premiado filme “Cidadão Kane”, o roteirista foi capaz de criar em uma hora uma situação caótica dentro do território noirte-americano.

O jornal Daily News resumiu toda a confusão em uma manchete histórica na manhã seguinte: “Guerra falsa no rádio espalha terror pelos Estados Unidos”. Todos os méritos dessa produção, adaptação e direção geniais eram do então jovem e praticamente desconhecido ator, diretor e roteirista Orson Welles.

 A “rádio do pânico”, conforme ficou conhecida após o episódio, foi alvo de centenas de ações na justiça norte-americana – mas nenhuma foi bem sucedida. Ainda como repercussão, podemos citar a exigência feita pelo governo de obter uma cópia do programa para análise.

Curtiu o post? Então deixe seu comentário!

Quer ter a sua própria web rádio? A BRLOGIC pode te ajudar.
Clique aqui e realize um teste grátis.

Sobre o autor

Luiz Silveira

Luiz Silveira é obcecado por rádio, música e tecnologia. É especialista em marketing digital, com uma década de experiência tem como meta descomplicar a integração das emissoras de rádio ao meio digital.

Adicionar comentário

Clique aqui para escrever um comentário

Receba as novidades
Cadastre seu e-mail e fique por dentro das principais novidades
Informe seu melhor e-mail

A melhor empresa

Dois anos de parceria e nunca tivemos dificuldades em transmitir nosso áudio que fica online 24 horas por dia.

Carlos Garcia
Rádio DPK

5.0
2019-01-23T10:54:15-03:00

Carlos Garcia
Rádio DPK

Dois anos de parceria e nunca tivemos dificuldades em transmitir nosso áudio que fica online 24 horas por dia.

Qualidade e confiança

Serviço de qualidade com atendimento especial feito por uma equipe extremamente profissional.

Claudio Loureiro
Diretor da Rádio 13 de Agosto

5.0
2019-01-23T16:50:29-03:00

Claudio Loureiro
Diretor da Rádio 13 de Agosto

Serviço de qualidade com atendimento especial feito por uma equipe extremamente profissional.

Custo benefício

Extremamente satisfeito! A Mak Rádio é um sucesso e não pára de crescer e a BRLOGIC faz parte dessa vitória!

Alessandro Gaiga
Diretor da MAK Rádio

5.0
2019-01-17T12:18:45-03:00

Alessandro Gaiga
Diretor da MAK Rádio

Extremamente satisfeito! A Mak Rádio é um sucesso e não pára de crescer e a BRLOGIC faz parte dessa vitória!
5
3